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Casamentos e Gerenciamento de Projetos

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Casar-se é um sonho pra muita gente. Mas tem lá suas complexidades e dá um bocado de trabalho. Já adivinhou, né? O que vou escrever é justamente o que você está pensando: a organização de um casamento pode e deve ser tratada como um projeto. Mas o que é mais interessante disto tudo é que não tirei isto da minha cabeça. A motivação de escrever a respeito deste tema veio da leitura da revista PM Network (revista mensal editada pelo PMI e entregue  a seus filiados) de Julho de 2010.  Nesta revista há um artigo muito interessante , trazendo depoimentos de executivos de empresas especializadas no planejamento de casamentos, nos quais o gerenciamento de projetos é exaltado como um trunfo importantíssimo no sucesso deste tipo de empreendimento.

Se pararmos pra pensar um pouquinho, faz todo o sentido. Veja:

  • Vários fornecedores devem ser contratados;
  • Há no mínimo algumas dezenas de tarefas a serem executadas e coordenadas;
  • Decisões importantes devem ser tomadas em vários pontos da organização, o que via de regra demora alguns meses.

Na prática, um casamento é um projeto com restrição de tempo fortíssima (depois de escolhida a data, mudar pode se transformar num grande transtorno), orçamento também não muito flexível na maioria dos casos, e escopo não trivial. Problemas relativos a qualidade podem gerar a fúria de alguns stakeholders bastante conhecidos pela sua exigência: noiva e mãe da noiva.

Voltando ao artigo, três pontos citados pelos especialistas na “indústria do casamento” me chamaram a atenção:

  1. Um casamento médio demanda 100 horas de planejamento;
  2. Gerenciamento de riscos ainda é uma área falha, mas que já começa a ser explorada. Um “gerente de projetos de casamento” (PMP, por sinal)  disse já ter ações de contingência mais ou menos padronizadas pra garantir que nunca falte o famoso bolo, intacto e adequado à pompa que este tipo de festa exige.
  3. Um casamento deixou de ser encarado como “estilo e design” com apenas um pouquinho de gestão, pra ser tratado como um projeto de fato.

E você, conhece outras áreas ou empreendimentos do nosso dia-a-dia que deveriam ser tratados como projetos? Comente!

21 COMMENTS

  1. Caríssimos!!!

    Obrigada pelas citações, estão me ajudando e muito!
    A começar pelo meu noivo(tb GP) que me chamava de maluca por estar gerando relatórios , wbs etc do nosso casamento…rsrsrs afinal conta como projeto e com as hora para eu poder tirar a certificação!!
    Agora, na minha opinião, no meu caso, acho mto complicado o gerenciamento pelos simples fato de EU ser a GP e a STAKEHOLDER do Projeto…rs

  2. Prezado Adriele!

    Encontrei este artigo na internet buscando justamente algo que falasse sobre a Gestão de Casamentos como um projeto de fato e quero agradecer porque, ele foi bastante útil para mim. Digo isto porque atuo no segmento de casamento com o serviço de Assessoria e tenho percebido a necessidade cada vez mais crescente de profissionalização. Também vejo o casamento como um projeto e por isso vou buscar me especializar no tema para oferecer ao meu cliente um serviço ainda melhor. Mais uma vez, obrigada pela contribuição!!

    Rosinha Rios

    • Legal Rosinha! Muito legal a identificação com o seu trabalho. Seja sempre bem vinda ao nosso site.

    • Rosinha, você teria o link do artigo para me passar ou pelo menos o título do mesmo para tentar localizá-lo? Obrigada

  3. Caro Farhad,

    Primeiramente não encaremos a PMNetwork como intocável. Nada é intocável. Mas achei que foi uma boa referência nesse caso específico.

    No mais, o que penso é o seguinte: assumindo que decidiu-se pelo casamento e pela sua cerimônia, esse esforço temporário é, em muitos casos, algo complexo o suficiente para compensar o uso de uma abordagem um pouco mais estruturada de gestão de projetos.

    Quanto a valer a pena ou não realizar a festa, acho algo muito pessoal e certamente nunca haverá consenso a respeito. Por isso este não foi o foco de minhas atenções.

    Em relação às suas “discordâncias”, elas realmente nos dão um certo trabalho muitas vezes. Mas tenho que dar o braço a torcer e concordar que, sem elas, talvez não tívéssemos discussões tão ricas como esta, que movimentou a vida de muita gente por aqui e na lista do PMI-MG nesse fim de semana 🙂

    Grande abraço!

    • Caro Andriele,

      Não é juizo de valor, mas quase!

      Se chamarmos qualquer “esforço temporário empreendido para criar um produtos, serviço ou resultado exclusivo” de projeto, construir um mini-submarino para transportar cocaina de Colombia aos Estados Unidos, “09/11” e resgate de Mussolini pela Elite da Vehrmacht na segunda guerra mundial também serão considerados projetos.

      Mas, eu acho que devemos chamar de projeto algo moral e eticamente aceitável.

      Dado que vaidade é um pecado capital, cerimônia faraônica e festança de casamento são condenáveis pela ética judaica-cristã (e até islâmica).

      De acordo com o livro Sacred Origins of Profound Things (Origens Sagradas de Coisas Profundas), de Charles Panati, a teóloga e monge grego Beatrice G. e Fernando T. (345 – 399) teria escrito uma lista de oito crimes e “paixões” humanas, em ordem crescente de importância (ou gravidade):

      1.Gula
      2.Avareza
      3.Luxúria
      4.Ira
      5.Melancolia
      6.Acídia (ou Preguiça Espiritual)
      7.Vaidade
      8.Orgulho

      Segundo a igreja catálica, a vaidade é a pior de todos os pecados capitais e uma das suas manifestações é a ostentação.

      De novo, reitero que é apenas uma opinião, portanto, SUJETIVA.

  4. Caro Andriele,

    Deixo-me colocar um pouco de pimenta nesta conversa, remar contra o maré e como você disse “discordar” com a maioria e até a revista intocável PM Networks!

    Embora, hoje em dia, haja mais relatos de divórcios e separações que casamentos felizes para sempre, a meu ver a instituição do casamento até faz sentido para dar segurança ao casal (e eventualmente aos filhos, que virão antes ou depois) que pretendem construir uma vida juntos.

    Agora quando falamos de casamento apenas em termos de Cerimônia (tanto faz civil ou religiosa) e Festa, já acho que não se justifica lançar um projeto para isso. Em outras palavras não tem um business case convincente e racional que justificasse um projeto desses.

    Vejamos: Por que raios devemos gastar um tubo de dinheiro, assumir uma série de riscos, mobilizar um montão de gente para organizar uma cerimônia que dura algumas horas seguida de orgia gastronômica e bebedeira que vêm depois disso? Vaidade? Ostentação? Lembranças (gravadas em vídeo e retratos)?

    Não é preferível usar o dinheiro e fazer uma viagem de sonhos (isto sim um projeto pessoal justificável pelos benefícios intangíveis que viagens propiciam as pessoas), ou ainda melhor, investir na nova casa ou móveis para a nova casa do casal?

    É apenas uma opinião, mas o próprio motivo o propósito de uma festa de casamento para mim é fútil e dispensável. A cerimônia e Festa só enriquecem a Igreja e empresas de eventos.

  5. Adriele,
    Outro exemplo de uso das práticas de Gerenciamento de Projetos em atividades “diferentes” do nosso dia-a-dia:

    NA FESTA DE CONFRATERNIZAÇÃO ANUAL DA EMPRESA:

    Desde 2008 assumi a responsabilidade de organizar o evento em que reunimos os cerca de 300 funcionários do departamento – com suas respectivas famílias – para uma grande (e típica) festa de confraternização, onde comparece um público próximo a 1.000 pessoas.

    E pode até parecer algo relativamente simples, já que quase 100% da execução é contratada junto à terceiros especializados, mas, na verdade, é um PROJETO que requer um planejamento impecável, pois como atuamos numa grande corporação, não podemos correr o risco de que eventuais falhas venham a expôr o nome do departamento e da empresa.

    E detalhes não podem ser esquecidos, sob o risco de críticas, seja por parte dos funcionários e seus familiares ou mesmo de diretores e vice-presidentes (que são convidados e participam). Assim, temos que nos lembrar desde o fraldário e berçário para os pequeninos “filhotes” dos funcionários, até acessibilidade no local (geralmente sítios ou clubes) para os portadores de necessidades especiais, passando aí por quantidade, qualidade e variedade da alimentação e bebidas, que precisam atender não apenas ao programa corporativo de alimentação saudável, mas também aos diabéticos e hipertensos, além é claro, da segurança daqueles que vão com seus carros e não podem ingerir beber antes de dirigir de volta. Sem falar em questões como Segurança física do local dos participantes com controle de acessos, passando ainda pelos guarda-vidas para as piscinas, posto de enfermagem para emergências, monitores para crianças, recreação e entretenimento para jovens e adultos. UFA!

    Enfim, mesmo com as várias restrições (Prazos, Orçamento, Fatores Externos, etc…) que são impostas, contando com uma equipe, que embora pequena (3) é bem afinada e comprometida, aplicando as boas práticas de GP, principalmente na fase de planejamento, temos conseguido realizar, a cada ano, festas cada vez maiores e melhores, recebendo diversos elogios dentro da empresa, o que nos deixa bastante orgulhosos.

    E a festa deste ano já está marcada, prometendo ser ainda melhor! O projeto promete ser sucesso garantido!

  6. Andriele, uma curiosidade/coincidência:
    em 2006, em vários cursos de MBA de Gerenciamento de Projetos, um dos exercícios mais realizados era o da criação de projeto, com WBS e tudo, de uma festa de casamento… creio que fez tanto sucesso que saiu do papel pra prática nos últimos 4 anos… :o)
    Um abraço.

    • Interessante… Vou observar os exercícios que passo para os meus alunos 🙂 Provavelmente pode estar aí uma nova tendência. Grande abraço, Rogerio

    • Caro Rogério,
      Não seria o “caso casamento Paulo e Carla ” do Professor Lincoln da FGV?

      Começa assim: “Após seis anos de namoro Paulo e Carla resolveram firmar matrimônio….”. Serve muito bem como exercício (eu o uso nas minhas aulas), mas o caso (business case) não se sustenta!

      O projeto se justifica assim: “Tradição das famílias” e eu interpreto como Vaidade e Ostentação.

      Quando uso o caso, sempre manifesto a minha opinião depois, pois sou contra este tipo de desperdício!

  7. Adorei o artigo! Também me chamou a atenção esse assunto na revista porque fiz meu casamento a pouco tempo (22 de Maio) como um projeto, utilizando vários processos da metodologia que utilizo nos meus projetos do trabalho.

    No meu caso, além de todas as restrições eu tinha o fator – distância, pois estou morando no Canada e meu casamento foi em Belo Horizonte.

    A experiência foi muito boa, mas acho que não vou ter outro projeto tão dificil como este, mas recompensador é claro. Fiz o planejamento progressivo – e é o que aconselho, pois coisas como a escolha do local são pontos chaves para decisão de outras pacotes de trabalho. Minha WBS não foi muito detalhada… O gerenciamento dos stakeholders não foi fácil, apesar deu ser a “key” e ter um percentual maior de impacto na tomada de decisões, tive que ser mais flexivel pois estava envolvendo duas culturas. Ao final, precisei contratar um cerimonial and acrescentar no meu time minha irmã e madrinhas para dar conta do recado de acordo com os meus objetivos.

    Uma observação, acho que você deve concordar comigo, é que neste tipo de projeto o fator GOLD PLATING faz diferença. Pelo menos no meu caso, as “surpresas” da festa foram excelentes. E ter superado as expectativas e requerimentos é o que faz as pessoas não esquecerem.

    E minha última colocação é que vou fazer o exame PMP agora em setembro e no preenchimento dos meus “requirements” eu mencionei este projeto!

    Aproveito para te agradecer Andriele, pois você já me ensinou muito em PM!

    Abraços,
    Carina

    • Sensacional o seu depoimento Carina! Um caso prático, recente e que acrescentou muito ao que eu, a PMNetwork e demais colegas escrevemos. Até mesmo questões culturais (por envolver pessoas de dois países) estiveram presentes e certamente trouxeram alguns desafios extras. Muito legal mesmo! Fico feliz de poder ter contribuído de alguma forma com o crescimento de seu conhecimento na área de GP. Muito obrigado pelo comentário e claro: parabéns pelo casamento! 🙂 Abraço!

  8. As necessidades e expectativas da principal stakeholder (noiva) deverão ser monitoradas com alta frequencia, hehe

    Att,

    Vinícius

  9. Oi Andriele,

    Se pensarmos em um casamento simples, os riscos sao geralmente inexistentes, mas conforme a aumenta o tamanho do evento a coisa realmente muda de figura. Restriçoes de orçamento, prazo e qualidade.

    Uma restriçao bem incomum nos projetos tradicionais e extremamente presente nos casamentos é a perecividade dos produtos. Nao adianta entregar a salada de maionese uma semana antes, sem falar das flores… Cronograma complicado.

    Stakeholders com interesses divergentes sao comuns, o pai da noiva querendo economizar e a mae da noiva querendo gastar… Orçamento complicado.

    Sem falar de questoes como o famoso risco da lista de convidados. Quem vai em qual mesa… Quem serao os padrinhos…

    Faço apenas uma pequena brincadeira para terminar. Nao faça análise da viabilidade econômica do projeto, senao o noivo foge!

    Abraços,

    Fabiano

    • Oi Fabiano,
      Também não tinha pensado sobre a necessidade da entrega de alguns produtos muito próximos do momento do evento (em função do fato de serem perecíveis). Sem dúvida estas restrições adicionais complicam um bocado as coisas. Grande abraço!

  10. Excelente artigo, a organização do casamento é um dos projetos com indice mais alto de sucesso, porque os stakeholders acompanham de perto, participam ativamente de todas as decisões e por outro lado não pode haver falha do gerente de projetos, por isto o empenho dele e a cobrança do stakeholder estão sempre interligados.

    É um bom ramo de negócio, um bom gerente de projetos aliado a um bom cerimonial que tem acesso aos fornecedores pode gerar um bom lucro e sempre trabalhos a serem realizados.

    Vivenciei tudo isto no meu casamento que por incrivel que pareça tinha um cronograma compartilhado com a responsável do cerimonial.

    • Você tocou em um ponto muito importante Alexandre: o envolvimento dos stakeholders. Sem dúvida este aspecto é fundamental para garantir uma taxa de sucesso tão alta – pelo menos no evento do casamento. 🙂
      Muito obrigado pelo comentário!

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